jack-london-
3 de abril de 2014

Jack London e o ex-marinheiro

No livro “O povo do abismo”, o escritor Jack London convive lado a lado com os miseráveis pobres e excluídos de Londres do início do século XX.

Em certo ponto do livro, ele, experimentando a vida da mendicância, e outros colegas mendigos tentam entrar em um abrigo. Na fila ele conhece um senhor que lhe diz o seguinte: ”Faz duas noites que fico pra fora, anteontem à noite fiquei molhado até os ossos e não vou aguentar isso por muito tempo. Estou ficando velho e numa manhã dessas vão me encontrar morto.” Virou-se bruscamente na minha direção:”Nunca fique velho, garoto. Morra enquanto for jovem, senão vai ficar que nem eu. Eu garanto. Tenho 87 anos e servi meu país como um homem. Recebi três galões por bom comportamento e a Cruz Vitória, e agora é isto que me dão. Preferia ter morrido. Pra mim, quanto mais rápido melhor.” Seus olhos encheram-se de lágrimas, mas antes que o outro homem o confortasse, começou a cantarolar uma canção de marinheiro, alegre como se nunca tivesse havido sofrimento no mundo.

Jack_London_Bain_News_ServiceEncorajado pelos que estavam ali, contou sua história enquanto esperava na fila do abrigo, depois de ter passado duas noites vagando nas ruas. Ainda menino se alistou na Marinha Britânica, à qual serviu lealmente por mais de 40 anos. Nomes, datas, comandantes, portos, navios, missões e batalhas saiam de seus lábios num fluxo constante, mas está além de minhas possibilidades lembrar de tudo aquilo, pois é difícil tomar notas na porta de um abrigo de indigentes. Estivera na “Primeira Guerra da China”, como dizia; alistou-se na Companhia das Índias Orientais e durante dez anos serviu na Índia, com a Marinha Inglesa, na época do Motim; serviu na Guerra da Birmânia e na Criméia; e além disso lutou e trabalhou duro pela bandeira inglesa em praticamente todos os outros lugares do Globo.

Foi ai que aconteceu. A explicação para tudo o que sucedeu provavelmente estava em coisas mínimas: talvez o café da manhã do tenente não tivesse lhe caído bem, ou ele tivesse ficado acordado até tarde na noite anterior, ou estivesse pressionado por dívidas ou o comandante tivesse falado rispidamente com ele. O fato é que naquele dia o tenente estava irritado. O marinheiro, junto com outros marinheiros, estava “arrumando” o massame de proa.

Agora vejam só: o marinheiro estava havia mais de 40 anos na marinha, tinha três galardões por bom comportamento e ganhara uma Cruz Vitória por serviços prestados em batalha. Portanto, ele não devia ter sido um marinheiro tão ruim assim. O tenente estava irritado e o chamou de um nome – bem, não era um nome lá muito bom. Era referente à mãe dele. Quando eu era criança, o código era brigar feito um demônio quando alguém insultasse a mãe do outro e lá de onde vim, morreram muitos homens por chamar a mãe de outros homens desse nome. Mas o tenente xingou o marinheiro desse nome. Coincidiu que naquele momento o marinheiro tinha uma barra de ferro ou talvez um pé-de-cabra na mão. Ele prontamente atingiu a cabeça do tenente, derrubando-o do massame e lançando-o no mar. Segundo as palavras do próprio homem: “Percebi o que tinha feito. Conhecia as normas e disse pra mim mesmo: ‘Você está perdido, Jack. Agora acabou’. Daí pulei no mar atrás dele, decidido a me afogar junto com ele. Teria feito isso se a pinaça da nau-capitânea não tivesse se aproximado justamente naquele momento. Fomos içados, eu segurando e dando murros nele. Foi essa minha perdição. Se não estivesse batendo nele, poderia alegar que, vendo o que tinha feito, pulara para salvá-lo”.

Depois veio a corte marcial, ou qualquer que seja o nome do julgamento que envolve o povo do mar. Ele recitou a sentença palavra por palavra, como se tivesse repetido aquilo muitas vezes, com profundo amargor. Em nome da disciplina e do respeito a oficiais que nem sempre são cavalheiros, eis a pena aplicada a um homem punido por ter se comportado como um homem: ser reduzido ao posto de um marujo ordinário; ser privado de todos os prêmios em dinheiro; perder o direito à pensão; abrir abrir mão da Cruz Vitória; ser exonerado da Marinha com um atestado de boa conduta (já que aquele fora seu primeiro delito); receber 50 chibatadas; e servir dois anos na prisão.

“Preferia ter me afogado, juro por Deus que preferia”, concluiu, enquanto a fila andava e dobrávamos a esquina.

FRAUDE INTELECTUAL
30 de março de 2014

A fraude intelectual de Paulo Ghiraldeli contra o feminismo

Não tinha achado necessário me expressar sobre a questão dos protestos-femininos-contra-o-estupro, porque não achei que tinha algo a acrescentar, mas depois que li o “ARGUMENTO” do PAULO GHIRARDELI, agora eu tenho algo grave a dizer.

Comecei a ler esperando por um argumento mais concreto. Mas seu argumento não é suficiente. Em segundo lugar, se há ou não há desejo sexual por parte do estuprador, E DAÍ? O estupro continua existindo, e continua em grande parte sendo associado ao fato de que estupradores se sentem no “DIREITO” de estuprar uma mulher, por terem sido provocados de alguma maneira. Não se estupra só por desejo sexual, também estupra-se por ódio, pela vontade de subjugar. Por se achar no direito de…

A pergunta, que vai direto de encontro com a sua eloquência é:
O fato do estupro não ser somente relacionado ao desejo sexual masculino alteraria em algo o slogan?

SLOGAN: “INDEPENDENTE A FORMA COMO ME VISTO, EU NÃO ESTOU PEDINDO PARA SER ESTUPRADA”.

nao mereco OBVIOUS2

MESMO SUPONDO QUE SEU RACIOCÍNIO ESTIVESSE CERTO (e não está), SUA RETÓRICA É VAZIA E ILÓGICA, PORÉM ELOQUENTE. Você sabe escolher bem as palavras, você sabe falar de forma convincente, graças a isso convenceu a si mesmo de que é um homem inteligente. Mas a base por trás dos seus argumentos são pobres, fedem a subdesenvolvimento intelectual adornado com bela roupagem. Já que o brasileiro é fã do chocalho da palavra, você usa dessa fraqueza nacional para convencer as pessoas, mesmo sem uma idéia consistente, mas só os idiotas se impressionam com palavras difíceis.

Não que eu esteja achando legal essa onda de todo mundo carregando esse cartazinho. Não acho essa uma das campanhas mais inteligentes dos últimos tempos, mas o que eu acho ou deixo de achar é irrelevante diante da importância desse protesto.

Perceba, há algo grandioso acontecendo, está no ar. Uma convulsão que representa uma necessidade urgente da mudança de comportamento de toda uma sociedade. Não é apenas no Brasil que essa necessidade está gritando. Além do seu umbigo existe um mundo, veja a Índia por exemplo: Homens praticam estupro coletivo contra mulheres. Isso é a manifestação máxima da impunidade do machismo. A fragilidade da mulher na sociedade é evidente, porquê elas não tinham voz, mas estão adquirindo, e isso irrita muitos homens. Não que o sexo feminino seja frágil, conheço mulheres tão fortes, capazes de dobrar o mundo em prol de seus objetivos. Mas frágeis no sentido de que a constituição física é muitas vezes menor do que a do homem, e frágil no sentido de não poder se expressar diante da injustiça, afinal A CULPA É SEMPRE DELA no pensamento da sociedade atual.

Se a transformação social que caminham em prol de um mundo mais justo para as mulheres te ofende, acredito que seja hora de você rever a forma como tem se posicionado.

Bob Dylan obvious

Como diria Bob Dylan:

Venham escritores e críticos
Profetizam com suas canetas
Mantenham seus olhos abertos
A chance não virá novamente
E não falem tão cedo
A roda está girando
Não há como dizer
Quem será nomeado
Pois o perdedor de agora
Mais tarde vencerá
Pois os tempos estão mudando

( The times They’re A-changing http://youtu.be/e7qQ6_RV4VQ )

Se a mudança dos tempos te ofende, recomendo uma mudança íntima urgente, senão vai afundar como uma pedra em um novo rio que está surgindo.

Se há algum acerto nessa campanha é o fato que ela vai inibir muitos agressores. A campanha contra as “encoxadas no ônibus”, por exemplo, inibe o comportamento sexual-agressivo em público (em parte, ao menos) mostrando ao povo que isso não é COMUM e nem NORMAL, e nem muito menos um DIREITO (como a campanha publicitária do metrô afirmava).

Essa reprovação em massa do comportamento sexual agressivo do homem é uma forma de dizer ISSO ESTÁ ERRADO, ISSO NÃO PODE E NÃO VAI CONTINUAR ASSIM. Essa campanha indica uma espécie de evolução, mesmo que contra a vontade dos que querem preservar um status quo que é vantajoso apenas para os homens.

Urao Shametaro
28 de fevereiro de 2014

[trash movie] Urao Shametaro

Éramos um grupo de moleques com muito tempo livre, os Vatos Locos, de Brasília

Sobrava tempo e capacidade pra fazer o que quiséssemos. Urao Shametaro é o nome da nossa última obra cinematográfica trash, que nunca foi terminada. Era a continuação de outro filme trash nosso chamado Jornada do Oriente.

Foi filmado entre 2002 ou 2004. Restaram algumas ótimas cenas. Urao Shametaro é o nome de uma entidade milenar que viveu prisioneiro nos confins do oriente por mil anos, ele envia seu fiel lacaio para encontrar os três medalhões do poder, a única forma de sair de sua prisão.
Elenco principal: Fernando Miranda, Fábio Miranda, Yan Klier, Gustavo Serrate

anikulapo
25 de fevereiro de 2014

Anikulapo

Anikulapo: Esta palavra adotada pelo músico nigeriano Fela Ransome Kuti representa toda uma filosofia. A palavra substituiu o nome do meio, Ransome. Na época, a batalha ideológica travada por Fela Kuti em sua música, era para que a Nigéria e a África deixassem de ser um país mentalmente colonizado, era para que se tornassem um país orgulhoso de sua própria cultura, de sua vestimenta, de sua maneira de falar, de sua religião, ao invés de imitar os hábitos do homem supostamente “civilizado” da Europa. Ele falava sobre isso em sua música “Gentleman”. Dizia: “Não sou um cavalheiro, sou um africano original”. De fato, para escutar e tragar um pouco de Fela Anikulapo Kuti, é preciso estar de mente aberta. Portanto, Fela Kuti considerava “Ransome” um nome de colonizado, e adotou a palavra “Anikulapo”, que significa ‘carrego a morte no bolso’, como seu novo nome do meio.

Muitos não enxergam o significado profundo dessa expressão, não posso prever todas as percepções e insights de Fela Kuti, mas algo que se poderia extrair dessa frase tem a ver com um preceito básico: “Memento Mori”, ou lembre-se da morte. Lembrar-se que a morte existe é um exercício para que percamos a futilidade, para que nos concentremos no que é realmente importante na vida. Passamos grande parte da nossa existência esquecendo de que um dia morreremos, mas quando nos damos conta de que temos tempo a perder, nossas ações mudam de figura.

“A morte me foi plantada no berço. Não tenho nada contra a morte. Simplesmente carrego-a comigo e ando com a morte através da vida. Não tenho medo dela. A morte tornou-me mais forte. É verdade que ela pode enfraquecer as pessoas, especialmente quando não refletem. Então apressam-se, abraçam a doença e dançam até a morte. O que eu não quero fazer. Eu sempre me revoltei com a morte, mas não a rejeito, porque isso seria estupidez.”
-Thomas Bernhard

Acho que este parágrafo define muito bem a palavra Anikulapo.

Paintball Matadouro
22 de fevereiro de 2014

Paintball no matadouro

Descobrimos recentemente uma arena de Paintball em Brasília chamada Matadouro. O matadouro está entre as maiores arenas do país. É um matadouro de gado abandonado, fica ali para os cantos de Sobradinho 2. Além das enormes salas do grande complexo do matadouro, há outras arenas no mesmo espaço, externas, ou em galpões. Foi minha primeira experiência jogando paintball, mas depois dessa já fiquei viciado. To postando esse video mais pra estimular as pessoas a virem jogar também (e claro, para me convidarem).

Foto - meu nome e fabio
19 de fevereiro de 2014

[curta-metragem] O meu nome é Fábio

“O meu nome é Fábio”, um curta que me pegou de surpresa. Uma narrativa semi-documental sobre um mendigo que vive no lixo, em algum lugar de Taguatinga. A abordagem ao tema é extremamente original, tratando um homem real como um personagem ficcional. O monólogo é construído, mas usando da poesia os autores lançam um olhar fraterno sobre este sujeito que vive ignorado pela sociedade, apenas mais um em milhões. A guitarra suave ao fundo, e os sons que despencam como gotas, quase dá para sentir o cheiro de solvente, a cola de sapateiro. A narrativa soa como ficção, mas é partida ao meio quando a entrevista com os lixeiros revela a veracidade do fato. A fotografia também merece uma atenção especial, flerta com a loucura, com a estranha sujeira da miséria. As cores são fabricadas por uma mão cuidadosa, tem aspecto de LoMography, cara de Super 8. Uma busca pela imperfeição técnica, me parece proposital (Se não foi proposital, ficou melhor assim). Não há necessidade do lustre da alta definição. É cru.

Direção: Ivaldo Cavalcante
Montagem: Carina Aguiar
Direção de arte e roteiro: Carina Aguiar
Desenho de som: Erick Oliveira
Música original: Dillo Daraujo

11 de fevereiro de 2014

Kenjataimu

Seguindo a onda de expressões estrangeiras peculiares, como no último post, acabo de descobrir esta expressão japonesa.

Kenjataimu

A expressão significa Período de pensamentos claros, quando um homem está livre do desejo sexual, logo após ter um orgasmo. Traduzido literalmente do  Kenja 賢者 ( Sagrado ) e Taimu タイム ( Tempo ). Supostamente, o único momento em que o homem pode pensar com total capacidade de razão.

Arabe
9 de fevereiro de 2014

Insulto árabe

O árabe é uma língua especialmente enérgica. Há alguns anos atrás fiz uma amiga da Tunísia chamada Saoussen. Ela me ensinou um palavrão em árabe, que está entre os piores palavrões, mais ofensivos, entre os árabes. O tipo do palavrão que se pronunciado em público pode fazer alguém puxar a faca e rasgar seu bucho.

Naal din weldiie el Kelb
[ Maldita seja a religião de teus pais, os cães ]

* Acho que ela não vai gostar nada que eu tenha ensinado justo isso das coisas que aprendi com ela, mas esta foi uma das coisas que rendeu muita risada.

Marcelo Torrone
24 de janeiro de 2014

“Prospero’s” o clipe de Marcelo Torrone

Este clipe é o resultado de uma velha promessa.

Em 2005, eu morei em Curitiba por um ano, e lá conheci a banda Wandula, e seus dois integrantes, Marcelo Torrone e Edith de Camargo. Eu estudava cinema e na gostei muito do som deles. Eu e Tobias Kohl, um professor da Academia Internacional de Cinema (AIC) resolvemos fazer um clipe da banda. Conversamos com Edith e Torrone, na casa deles, sobre esse clipe, chegamos a visitar algumas locações no interior do Paraná, conhecemos uma estação de trem abandonada perto da casa de um amigo dos músicos. Discutimos brevemente como seria o clipe, mas a idéia acabou não saindo do papel.

Na vida corrida de trabalho e estudos, do período, a idéia ficou esquecida. Fui embora de Curitiba e fiquei com essa idéia na cabeça “Filmar o clipe do Wandula”. Em 2013, um amigo daqueles tempos se casou em Curitiba. Ricardo Abril, que também estudou cinema comigo. Ele me convidou para o casamento e eu me lembrei da velha idéia de fazer o clipe da banda Wandula. Falei com o Marcelo Torrone por internet, e ele estava agora em carreira solo. Como a banda Wandula já tinha feito um clipe, resolvemos fazer o clipe dele.

Prospero’s é uma tentativa de recriar a atmosfera que eu percebia em Curitiba através da Intimidade da vida do Marcelo Torrone. Ele possuia milhões de registros de momentos vividos, e combinados com alguns momentos quase documentais que capturei a partir do dia-a-dia em Curitiba. Construímos esse passeio através de memórias picadas, reminiscências de lembranças.

FILMADO EM CURITIBA (PARANÁ), NA CIDADE E NA CHÁCARA ONDE VIVE O MÚSICO MARCELO TORRONE.

5 de janeiro de 2014

Navegando o Rio São Bartolomeu

Este foi o trabalho que fizemos para a fundação Rio São Bartolomeu Vivo, uma fundação de proteção da natureza na mata desse rio tão importante para o Distrito Federal.

O video é uma estória infantil sobre três piratas atravessando o Rio em seu barquinho de maneira. Um video bem fantasioso que ensina enquanto diverte.

Older Posts