Novo urbanismo
30 de dezembro de 2015

URBANISMO: Os condomínios horizontais e as cidades

Há alguns anos atrás, quando comecei a filmar meu documentário “Rua J“, eu não tinha uma ideia clara sobre qual era o tema central da história que eu estava tentando contar. Eu coletava entrevistas para narrar a vida de um grupo de garotos vivendo dentro de uma zona suburbana, e por isso quis explorar um aspecto dessa realidade, que é a questão dos condomínios horizontais, e como eles afetam a lógica da cidade. Com o decorrer da filmagem, acabei descobrindo que o tema da minha história era outro, e portanto, parte do material que eu havia filmado ficou engavetado.

Essa entrevista, com o professor de Urbanismo e Planejamento da UnB, Benny Schvarsberg, fazia parte do material esquecido do documentário Rua J. Foi uma entrevista tão boa e esclarecedora sobre esse novo fenômeno dos condomínios horizontais, que eu decidi publicá-la na integra para quem se interessa pela dinâmica das cidades e creio que poderá servir para estudantes acadêmicos que pesquisam sobre o tema também. Mais do que tudo, é um material inteligente com grande poder de mudar alguns conceitos que temos na cabeça sobre como a cidade deve ser construída, e sobre como os espaços públicos estão morrendo, dando lugar a espaços privados que não permitem acesso da população, tudo em nome da segurança e do conforto de uma elite.

Dividi a entrevista em 3 partes:

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25 de dezembro de 2015

Felicidade

“Alguns anos atrás, eu estava rastreando velhos contadores de história nas Ilhas Egeias. Cruzei com esta mulher de 90 anos em Cárpatos, um dos lugares mais remotos e belos da Grécia. Ela me recebeu em sua casa modesta com imensa generosidade e confiança. Entre seus poucos pertences, havia um pássaro, um brinquedo que alguém deixou lá. Isso se destacava, talvez a única coisa que não tinha um uso específico; logo, perguntei a ela [sobre isso]. Seus olhos se encheram de alegria. Ela me pediu para acompanhá-la lá fora a fim de me mostrar todas as coisas que seu pássaro fazia à luz do dia. E ela ficou lá, em pé, em seu pequeno terraço com vista para o mar, brincando com seu pássaro, inocente e feliz como uma criança pequena.”

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