Mixtape: Rock para viagem
23 de março de 2015

Mixtape: Rock para viagem

Faz tempo que estou querendo criar uma mixtape. Então para começar, uma temática bem fácil, bem ampla. Rock para viagem, só banda foda.

20 de março de 2015

[curta-metragem] Iceberg

iceberg Em 2005 eu estava inebriado pelo poder da ficção. Estava estudando cinema, passeando pelos bosques da ficção, estudando a fiação por traz da narrativa e descobrindo o que acontecia ao puxar um cabo, apertar um botão. Experimentando como podia, de alguma forma, exercer fascínio nos outros, eu estava encantado e queria encantar os outros.

Em Julho fui passar férias na casa dos meus avós em Espírito Santo. Meus primos Felipe Serrate​, Henrique Serrate​ e meu irmão Guilherme Serrate Maia​ estavam por lá. Hoje são todos crescidos, na época eram uns molecotes. Improvisei um roteirinho de mistério levinho, só queria filmar, qualquer coisa. Os dedos coçando pra começar a gravar. Só tinhamos uma câmera compacta da sony, péssima resolução de imagem. Vamos filmar. Até meu tio Alexandre Wilson e meu pai Marcos Maia viraram atores do nosso curta-metragem feito por diversão, “Iceberg”.

 

pat perry 900
18 de março de 2015

Trabalhar flanando

Meu sonho é encontrar uma forma de fazer dinheiro e poder viver viajando, ou ao menos, encontrar um tipo de trabalho que se entrelace com minha vida criativa de uma forma orgânica. Uma relação de troca, descoberta e adaptação, não de servidão. Bons trabalhos restauram o brio, pelo simples fato de que o preenchem com resultados que o satisfaçam intimamente. Parece ilusório? Volta e meia descubro algumas pessoas que hackearam o sistema, ou que possuem talentos especiais, ou simplesmente que deram sorte e conseguiram um trabalho para o qual não estejam apenas aguardando o pagamento no fim do mês, existem trabalhos pelos quais é prazeroso viver, porquê satisfazem sua criatividade – e pela ausência de regras formais – também nutrem uma sensação de liberdade raríssima.

Dia desses lí um artigo poderoso na Medium sobre um Inglês sequestrado em um bairro perigoso. Ele passou maus bocados, o encapuzaram e o levaram para “passear” por ai, enquanto iam de um lado para o outro diziam “cê vai morrer”, o levaram para sacar dinheiro no caixa eletrônico e tentaram matá-lo, mas ele escapou por muito pouco, e após o período de estresse pós-traumático descobriu que havia se tornado uma pessoa mais feliz pelo simples fato de se dar conta todos os dias de que “Eu sobrevivi”. Enfim, esse artigo foi fantásticamente ilustrado por um cara chamado Pat Perry. Como me interesso muito por ilustrações e design, resolvi descobrir quem foi o artista que traduziu a experiência do sequestro de forma tão original. Descobri no blog de Pat Perry a seguinte descrição

“Pat Perry é um artista itinerante nascido em Michingan que escreve e faz desenhos através de uma observação feita com cautela.
Precisamos nos manter ‘inadaptados'”.

Itinerante.

Essa palavra é combustível para a imaginação.

Tributo ao coitidiano
18 de fevereiro de 2015

Insiginificâncias ( I )

Às 10h34 da manhã Reinaldo escala a escadaria externa do topo de um colégio para reparar as antenas, a chuva bate fraca molhando perigosamente a tinta enferrujada da escada. “Deslizar dessa altura é uma queda e tanto” – pensa - “Imagina quebrar a espinha, com tanta dívida pra pagar. Resto da vida sem poder andar”. Enquanto o vento forte passeia pelo seu rosto e pequenas gotículas se formam em sua testa, aperta as mãos e abraça o metal encostando o peito na escada, agarra-se a vida tomado por um medo inédito em sua vida profissional.

Cibele falta a missa para enfiar dois dedos dentro calcinha debaixo do cobertor na preguiça fria da manhã. Trava contato visual com um coelho de pelúcia, no alto da prateleira, evergonhada, prefere manter os olhos fechados, dedos molhados.

Da janela do segundo andar em um prédio cinzento do Plano Piloto, uma dona de casa observa hipnotizada: a grande árvore balança na ventania. O eco do ronco do marido ecoa pelos corredores, na estante há fotos amareladas de crianças com roupas da década de 1980. Ela pede perdão a Deus por um pensamento trágico que veio e foi-se sem querer.

Saulo senta-se com o notebook no colo, pronto para passar as próximas horas fabricando montagens engraçadas de photoshop, piadas de ódio contra as minorias “estúpidas” que votaram no governo reeleito e os escândalos de corrupção dentro de uma grande estatal. Há um copo com suco de laranja de caixinha e algumas bolachas mabel para não sentir fome. “Quanta coisa boa eu poderia estar fazendo lá fora…”, pensa enquanto o computador gasta tempo para carregar, mas o pequeno lapso é facilmente ignorado pelo prazer de escutar o som de inicialização do sistema.

Luana estuda direito constitucional em seu quarto fechado, decide que viajar sozinha é um risco que ela precisa correr antes de se entregar a vida funcional. Mordisca a ponta da caneta, lábios tingidos de tinta azul.

Do outro lado da cidade um radialista narra uma partida de futebol, para ele as crianças brasileiras estão comprando muitas camisas de times internacionais, idolatrando-os. “As crianças precisam de novos heróis nacionais”, ele acredita. E toma uma água para limpar a garganta. “Ninguém precisa de heróis”, alguém comenta com desdém, de passagem para o banheiro.

Um caixa registrador lamenta por trabalhar em pleno domingo: “Hoje era dia de fazer farofada no parque da cidade, era legal quando ficava todo mundo junto.” Volta aos cálculos para devolver o troco correto, o cliente sai, a porta se abre, som de crianças, pássaros, vento e céu cinzento, a porta se fecha, ar condicionado.

Leandro e Cíntia trocam sussurros sonolentos enquanto ouvem o rádio da casa do vizinho tocar música popular. Leandro resiste até onde dá… fecha os olhos. Vendo-o dormir Cíntia prefere engolir o que tem a dizer: “Eu te amo…”; – quem sabe em outra hora melhor?

Bernardo dormiu com a TV ligada, ele deu uma entrevista para o jornal local e acabou de acordar sem entender que dia é hoje, está confuso sobre se vai aparecer hoje ou amanhã no jornal da hora do almoço. Três ligações não atendidas, uma delas sobre a morte de seu avô.

Bianca corta o dedo preparando o almoço. Ela gostaria de sentir algo, mas desaprendeu a chorar.


Imagens do livro Tributo ao Cotidiano, de Jamison Pedra

Sanguinetti - peq
13 de fevereiro de 2015

Comentário da fotógrafa Alessandra Sanguinetti

“Sempre que filmava tinha a impressão de ter perdido uma grande pose estática, e sempre que fotografava pensava ter perdido uma conversa curiosa, nunca me satisfazia completamente”

A fotógrafa Alessandra Sanguinetti conta sobre o ensaio fotográfico que fez na Argentina em janeiro de 1999 com estas duas meninas, Guille & Belinda. (Veja mais)

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